por Gustavo Fonseca

Semelhante ao que acontece com nós, humanos, o meio também influencia no comportamento dos animais, despertando sensações e necessidades de acordo com os estímulos oferecidos. Se você tem um bichinho em casa, com certeza pretende oferecer um ambiente confortável e seguro também para ele, certo?

Essas práticas desenvolvidas para criar uma boa atmosfera fazem parte do chamado enriquecimento ambiental. “Enriquecer” o ambiente significa acrescentar um ou mais elementos com o objetivo de promover o bem-estar físico e psicológico do animal, impactando diretamente sua qualidade de vida.

É cientificamente comprovado que tanto animais quanto seres humanos em situação de encarceramento apresentam comportamentos menos agressivos quando recebem estímulos sociais e cognitivos. Por isso, aqui vão algumas dicas para você identificar se seu bichinho anda estressado e o que fazer para mudar isso.

Sinais do stress

O animal estressado, especialmente os domésticos que são mais comuns em nossos lares, como cães e gatos, começa a apresentar comportamentos estereotipados. Dentre esses sinais estão:

  • Bocejar e colocar a língua para fora constantemente;
  • Arfar seco, que significa respirar ofegante sem babar;
  • Farejar em excesso;
  • Apresentar resistência para ser guiado na coleira;
  • Ignorar o agressor;
  • Tremores;
  • Alteração de odores do animal;
  • Estado de alerta constante, observando os arredores e latindo.

Como criar um ambiente favorável

Ao identificar comportamentos incomuns no seu companheirinho, é importante levá-lo ao veterinário para que a sintomatologia seja analisada clinicamente. No entanto, várias dicas simples são muito eficientes se empregadas constante e adequadamente em casa:

Além daquelas coisas básicas como, por exemplo, passear com o animal no mínimo 3 vezes por semana e manter o espaço sempre limpo, existem várias outras técnicas que solucionam a questão do stress e deixam o ambiente mais agradável para os pets.

As técnicas de enriquecimento ambiental podem ser divididas em 5 grupos:

Social

Estimular o relacionamento do pet com outros bichinhos iguais a ele (intraespécie) e com outros animais, inclusive humanos (interespécie). Isso aguça os órgãos sensoriais do animal e evita males como a solidão e a depressão.

Cognitivo

Consiste em estimular o cérebro animal por meio de brinquedos, dispositivos e exercícios.

Físico

Nesse grupo, a indicação é complementar o ambiente com objetos e substratos que vão atingir a percepção do bichinho, por meio de objetos e substratos próprios da natureza animal. São intervenções promovidas espacialmente.

Sensorial

Estímulos para todos os sentidos: visão, olfato, paladar, audição e tato. Para os cães pode ser, por exemplo, levar para passear para sentir cheiros e pisos diferentes do da casa, como o de outros animais e de locais adequados para xixi.

Para gatos, é muito comum a utilização de brinquedos que estimulam a agilidade e entretêm os bichanos. Gatos costumam gostar de lugares altos para esconder e descansar, além de se entediarem facilmente. Criar “obstáculos” é um desafio positivo para eles, que gostam sempre de desbravar novos ambientes.

Nutricional

Relacionado à alimentação, esse grupo consiste em dispositivos que ampliam a complexidade para uma alimentação de qualidade. Algumas dicas são:

Colocar ração dentro de bolinhas próprias, e o animal vai se alimentando à medida em que brinca com a bola e ela solta a ração; isso estimula o bichinho a ir atrás da comida ao invés dela estar já no pote de ração, mantendo parte dos seus instintos de caça;
Petiscos para pets como gratificação de algo realizado, como as necessidades feitas no lugar certo.

Seguindo essas recomendações, a probabilidade de seu bichinho desfrutar com alegria e segurança do ambiente em que vocês vivem é bem maior! Lembre-se: ficar em uma única rotina, em um único espaço, recebendo os mesmos estímulos é cansativo para todos os seres vivos. O seu lar é o dele também.